SINJ-DF

PORTARIA CONJUNTA Nº 01, DE 10 DE MAIO DE 2016.

(revogado pelo(a) Portaria Conjunta 3 de 29/11/2019)

Normatiza a elaboração do Estudo de Viabilidade Ambiental, Social e Agrícola e o Plano de Instalação para os assentamentos de trabalhadores rurais no Distrito Federal.

O SECRETÁRIO DE ESTADO DE AGRICULTURA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL DO DISTRITO FEDERAL E A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS HÍDRICOS DO DISTRITO FEDERAL - BRASÍLIA AMBIENTAL, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos incisos III e V, do Parágrafo único do Art. 105, da Lei Orgânica do Distrito Federal, pelos Decretos nº 28.112, de 11 de julho de 2007 e nº 34.289, de 17 de abril de 2013, e em conformidade com o previsto no § 1º do art. 2º do Decreto nº 34.877, de 25 de novembro de 2013, RESOLVEM:

Art. 1º Estabelecer os critérios e as competências para elaboração dos estudos necessários à criação e à instalação de assentamentos de trabalhadores rurais no Distrito Federal.

§ 1º A elaboração do Estudo de Viabilidade Ambiental, Social e Agrícola observará o termo de referência objeto do Anexo I desta Portaria Conjunta;

§ 2º A elaboração do Plano de Instalação do Assentamento observará o termo de referência objeto do Anexo II desta Portaria Conjunta;

Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.

Art. 3º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.

JOSÉ GUILHERME TOLLSTADIUS LEAL JANE VILAS BÔAS

ANEXO I

TERMO DE REFERÊNCIA DO RELATÓRIO DE VIABILIDADE AMBIENTAL, SOCIAL E AGRÍCOLA - RVASA.

Este Termo de Referência estabelece as diretrizes para a elaboração do Relatório de Viabilidade Ambiental, Social e Agrícola - RVASA de Assentamentos de trabalhadores rurais no Distrito Federal, conforme previsto no § 1º do Art. 2º do Decreto nº 34.877, de 25 de novembro de 2013.

1-Caracterização da área de influência do imóvel, a partir de dados secundários, mapas temáticos e outros recursos:

a-Informações básicas de identificação, tais como nome do proprietário ou concessionário do imóvel, CNPJ, telefone, endereço, email, representante Legal.

b-Localização do imóvel na cidade onde está inserido (apresentação de mapas), apresentando a delimitação cartográfica, presença de unidades de conservação acompanhado das considerações presentes no plano de manejo da unidade (zonas, restrições e proibições) e outras áreas protegidas por medidas legais, bem como sua localização frente ao Plano Diretor de Ordenamento Territorial. Em caso de estar vigente zoneamento ecológico-econômico do Distrito Federal, identificar e enumerar as características da zona onde está inserida a área do imóvel.

c-Diagnóstico descritivo do meio físico: geomorfologia/relevo, solos, geologia, recursos hídricos (identificação e representação cartográfica da bacia ou sub-bacia hidrográfica e descrição analítica de suas condições de conservação/degradação ambiental), clima.

d-Diagnóstico descritivo do meio biótico: vegetação (descrever os grandes aspectos fitofisionômicos da vegetação nativa e as principais espécies endêmicas já identificadas e fauna silvestre).

e-Diagnóstico descritivo do meio socioeconômico e cultural: recursos institucionais, compreendendo infraestrutura de serviços de saúde (e acesso da população da região ao sistema de saúde existente), educação (verificar a existência de rede oficial e/ou particular de ensino nas zonas urbanas e rurais, as séries atendidas e cursos de educação para adultos), transporte, comercialização e armazenamento, eletrificação, comunicação, saneamento básico (coleta de lixo, tratamento dos efluentes domésticos) e abastecimento da água (existência de água encanada, rede de esgoto, fossas sépticas, etc.), habitação (características gerais das habitações da região e, quando possível, indicar os materiais mais utilizados), entidades creditícias e órgãos de apoio para pesquisa e assistência técnica; discriminar as principais atividades econômicas existentes, destacando se há extrativismo e especificando o tipo; estrutura fundiária, indicar os animais domésticos mais encontrados, caracterização da região conforme restrições de zoneamento distrital, projetos de assentamentos existentes na região, verificar a ocorrência de locais de interesse turístico (cavernas, cachoeiras, lagoas naturais, áreas de relevante beleza cênica), verificar a ocorrência de locais de interesse cultural (sítios de interesse arqueológico, histórico, recreativo, etc), informar os programas, projetos, serviços e ações governamentais, assim como, políticas de acesso ao crédito, saúde, habitação, produção e comercialização a serem disponibilizados aos assentados com objetivo de gerar condições adequadas de sobrevivência e permanência das famílias ali residentes.

2 - Identificação do Imóvel

a-Denominação, área, Região Administrativa, coordenadas geográficas, região, bacia e unidade hidrográfica, poligonal do assentamento georreferenciada, fração mínima de parcelamento (observando o PDOT e normativos do INCRA), vias de acesso, número aproximado de famílias beneficiadas, atividades desenvolvidas atualmente.

b-Cópia autenticada da escritura definitiva do imóvel ou documento expedido pela legítima proprietária, disponibilizando imóvel rural ou parcela ao Programa de Assentamento de Trabalhadores Rurais.

3 - Caracterização da área do imóvel

a-Vegetação: descrever o bioma e ecossistemas associados, apresentando as características da vegetação existente na área do imóvel, bem como relatar a presença de espécies protegidas pela legislação vigente e as espécies de potencial valor econômico. Deverá ser descrito o estado atual de conservação da vegetação nativa existente e se está ocorrendo regeneração das áreas alteradas. Informar a existência e a delimitação (georreferenciada) das Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, descrevendo seu estado atual de conservação estimando as áreas conservadas e degradadas, em hectares. Apresentar ainda a delimitação de áreas de várzeas.

b-Apresentar a inscrição do imóvel no Cadastro Ambiental Rural-CAR.

c-Recursos Hídricos: indicar a distribuição dos cursos d'água existentes, além de explicitar características como perenidade, parâmetros físico-químicos básicos (quando for o caso) e potencial de irrigação. Verificar a existência de nascentes e olhos d'água na área do imóvel, especificar seu uso e estado de conservação. As restrições de uso quanto à necessidade de proteção de nascentes existentes na área do imóvel, as peculiaridades do uso de solos hidromórficos. Presença da outorga de uso da água válida contemplando as atividades a serem desenvolvidas no assentamento. Apresentar memorial de cálculo da estimativa de consumo de água pelas atividades agropecuárias e abastecimento humano do empreendimento de forma que a vazão obtida neste cálculo seja compatível com a vazão outorgada pela ADASA. Relatar as potencialidades de uso das águas subterrâneas (no caso da existência de poços, informar o número, a vazão e a profundidade). Tipos de uso da água existentes a montante e a jusante do imóvel e, quando possível, os previstos. Indicar as principais formas de abastecimento de água. Verificar a existência de matadouros, frigoríficos e/ou indústrias poluidoras nas proximidades do imóvel, bem como sua possível influência na qualidade dos recursos hídricos a serem utilizados no assentamento.

d-Relevo: descrever as formas de relevo predominantes (colinas, morros, platôs, outros), elaborar o mapa de classes de declividade com uso de alguma das seguintes tecnologias: Sistema de Posicionamento Global-GPS, cartas planialtimétricas, fotos aéreas, imagem de satélite e outros materiais disponíveis para ilustração. A classificação do relevo deverá ser apresentada discriminando-se a classe de relevo, o percentual do imóvel correspondente àquela classe e a área aproximada (em hectare), devendo ser utilizado o quadro abaixo:

e-Solos: descrever a classificação de solo (tipos e porcentagens de ocorrência) no nível de hierarquia semidetalhado (conforme EMBRAPA), apresentando mapa na escala 1:20.000 e caracterizando os tipos de uso. Localizar e caracterizar os processos erosivos (laminar, sulcos, voçoroca) presentes na área do imóvel; realizar o levantamento planialtimétrico em escala compatível para determinação do melhor tipo de ocupação a ser realizado em cada parte do imóvel, bem como para a identificação das áreas de preservação permanente, proposta de locação das áreas de reserva legal e da estrutura viária. Deve-se demonstrar no Mapa de Uso Atual da Terra e Cobertura (escala 1:20.000) das diferentes classes de declividades ou de relevo, podendo ser utilizado o quadro descrito acima.

f-Fauna: Espécies animais predominantes, principais problemas de sobrevivência da fauna com respectivas causas. Ressaltar espécies endêmicas, espécies predadoras e as que estão com risco de extinção.

g-Classe de capacidade de uso ou aptidão agrícola da terra: Deverá ser apresentada a classificação da capacidade de uso das terras realizada descrevendo-se as potencialidades e os fatores limitantes de cada classe existente na área do imóvel devendo ser utilizado o quadro abaixo, assim como, apresentar um mapa delimitando as classes de capacidade de uso da terra na escala de 1: 20.000.

h-Determinação do tamanho dos lotes do assentamento de acordo com a dimensão do módulo por tipo de exploração (horticultura, lavoura, pecuária, silvicultura, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema agroflorestal e imóvel inexplorado) e pela zona típica de módulo (ZTM) da localização do empreendimento, sendo estes parâmetros definidos por normas do INCRA.

4 - Situação do Meio Socioeconômico e Cultural

a-Histórico do Projeto de Assentamento: Descrever a trajetória de criação do assentamento, a origem dos assentados e a situação socioeconômica.

b-População e Organização Social: Caracterizar e analisar o total da população por faixa etária, gênero, nível de escolaridade principais atividades econômicas exercidas. Estimar o percentual das famílias com acesso a benefícios, pecúlio e pensões por aposentadoria, invalidez ou dependência. Descrever as diversas formas de organização da população existentes (associações, cooperativas, etc.), assim como o grau de efetividade de seu funcionamento, e o nível de participação das mulheres e dos jovens.

c-Especificar as atividades produtivas previstas no espaço temporal, identificando: o tipo de atividade, a base tecnológica, a infraestrutura necessária, as metas produtivas e as medidas de controle ambiental necessárias.

d-Avaliar se os serviços de ATES suprem as necessidades de assessoria dos assentamentos.

e-Avaliar a necessidade de crédito (PRONAF e outros) bem como de infraestrutura para viabilizar a sustentabilidade produtiva e ambiental dos assentamentos.

5 - Proposta de Parcelamento

Anteprojeto de parcelamento, apresentando croqui da ocupação pretendida frente às áreas de APP, Reserva Legal. Apresentar as parcelas a serem destinadas às unidades produtivas familiares, áreas comunitárias, localização de estradas e elencar os equipamentos públicos, comunitários e infraestrutura básica a serem implantados no interior do empreendimento. Apensar a tabela de coordenadas UTM Sirgas 2000 do polígono da área do assentamento, disponibilizado pela TERRACAP. Informar as atividades produtivas a serem desenvolvidas em cada lote, bem como, comprovar tecnicamente que a dimensão definida do lote e as atividades agrícolas a serem desenvolvidas no seu interior propiciam a viabilidade econômica e a segurança alimentar das famílias de agricultores assentados. Caso haja previsão de supressão vegetal para uso alternativo do solo, indicar as áreas onde tal previsão ocorrerá e requerer a autorização de supressão vegetal junto ao IBRAM. O anteprojeto poderá ser alterado, a critério do órgão gestor do projeto de assentamento ou a partir de orientações do órgão ambiental competente, devendo ser novamente apresentado e homologado quando da apresentação do Plano de Instalação do Assentamento, conforme anexo II da presente portaria conjunta.

6 - Problemas Ambientais na Área do Empreendimento:

- Erosão: especificar os tipos, causas e intensidade.

- Compactação de solos.

- Assoreamento: especificar o local, a causa e intensidade.

- Salinização do solo e da água.

- Alagamento do solo (saturação).

- Obstrução de cursos d'água (observar se há efeitos sobre a intensidade de inundações e sobre os padrões de drenagem).

- Inundações.

- Diminuição da vazão do corpo d'água em níveis críticos.

- Comprometimento da vazão de água subterrânea.

- Conflito por uso da água a montante ou a jusante.

- Contaminação de águas superficiais: ( ) por agrotóxicos ( ) fertilizantes ( ) águas servidas ( ) Outros - Especificar.

- Fontes receptoras de água contendo agrotóxicos. Discriminar as fontes e sua localização.

- Contaminação de águas subterrâneas: ( ) por agrotóxicos ( ) fertilizantes ( ) águas servidas ( ) Outros - Especificar:

- Desmatamento de Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal.

- Exploração florestal sem plano de manejo aprovado.

- Plantio no sentido do declive, sem adoção de prática conservacionista adequada.

- Ausência de práticas adequadas de adubação e calagem mantenedoras ou recuperadoras da qualidade do solo.

- Uso inadequado das terras em relação a sua vocação.

- Uso de queimadas sem controle.

- Ocorrência de extrativismo vegetal, caça e pesca predatória.

- Morte de animais silvestres (terrestres ou aquáticos) por contaminação com agrotóxicos.

- Intoxicação humana por agrotóxicos.

- Destinação de embalagens de agrotóxicos e resíduos agrotóxicos e lixo ( ) Outros - Especificar:

7 - Diagnóstico e prognóstico de impactos ambientais do projeto

a-Diagnóstico ambiental.

b-Descrição dos prováveis impactos ambientais e socioeconômico da implantação e operação da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os métodos, técnicas e critérios para sua identificação, quantificação e interpretação.

c-Identificar e relatar as medidas mitigadoras e compensatórias, identificando os impactos que não possam ser evitados.

ANEXO II

TERMO DE REFERÊNCIA PLANO DE INSTALAÇÃO

Este Termo de Referência estabelece as diretrizes para a elaboração do Plano de Instalação dos Assentamentos de trabalhadores rurais no Distrito Federal, conforme previsto no Art. 2º do Decreto nº 34.877, de 22 de novembro de 2013.

1 - IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO:

a. denominação do assentamento;

b. Portaria de criação;

c. área total;

d. localização e acesso;

e. número e lista das famílias assentadas;

f. área média por família;

g. entidade representativa dos Assentados (nome, CNPJ, endereço, telefax, etc.)

h. Documento de anuência do INCRA quanto ao Relatório de Viabilidade Ambiental e do Plano de Instalação do Assentamento

2 - DIAGNÓSTICO DA ÁREA DO ASSENTAMENTO:

a-Anteprojeto de parcelamento do assentamento contendo a identificação das estradas e vias internas de acesso;

b-Cronograma executivo de instalação das obras de infraestruturas básicas (rede de energia elétrica, sistema de captação e distribuição de água e de abertura/manutenção das estradas internas), acompanhado da Anotação de Responsável Técnico do órgão público responsável;

c-Definição das medidas a serem adotadas para o esgotamento sanitário (conforme NBR 7229/1993 e NBR 13969/1997 da ABNT), manejo de resíduos sólidos e drenagem pluvial do assentamento. Caso o assentamento venha ser assistido pelo SLU, deverá ser apensado um documento emitido por este informando da realização e características (frequência de coleta, dias de realização...) da prestação do serviço no empreendimento;

d-Definição das medidas a serem adotadas para captação, adução, reserva e distribuição de água para consumo humano e irrigação;

e-Obras ou equipamentos públicos ou comunitários;

f-Caso seja necessária a supressão vegetal no empreendimento, deverá ser anexado o inventário florestal, de acordo com o termo de referência para supressão de vegetação para uso alternativo do solo em áreas rurais, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica - ART do profissional.

g-Tabela contendo coordenadas dos vértices definidores de cada parcela do assentamento

Este texto não substitui o publicado no DODF nº 96 de 20/05/2016

Este texto não substitui o publicado no DODF nº 96, seção 1 de 20/05/2016 p. 4, col. 1